quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Uma perda para o surfe global. Andy Irons deixou o oceano mais triste!


Por: Edinho Leite / ESPN

É a manhã mais cinza desde que chegamos a Porto Rico. O sol está encoberto por nuvens pesadas. Há uma tempestade no horizonte anunciando possibilidade de um furacão, Tomas. Porém, antes dele, outra tormenta inesperada e devastadora, atingiu a todos. O RipCurl Pro Puerto Rico, em sua 3ª fase, que seria provavelmente cancelado hoje por falta de ondas, está parado por outro motivo. A falta de Andy Irons.
Uma enxurrada de mensagens e especulações inundou minha tentativa de objetividade para escrever essa matéria na madrugada triste e mal dormida em Porto Rico. Busca-se uma explicação, mas o fato é que nada pode mudar a triste realidade. Andy Irons faleceu em Dallas [EUA].

O laudo médico deve demorar a sair. Dengue hemorrágica? Por que ele não foi a um hospital depois de ter passado tão mal durante o vôo de escala a caminho de casa? Quem é o médico que tratou de Andy aqui em PR? Owen Wright declarou que está doente desde Portugal. Trevis Logie tem alguns sintomas. Mas, diferente do que alguns veículos estão divulgando, Andy Irons não veio de Portugal. Ele estava no Hawaii antes de voar para cá. Caio Salles pesquisou e descobriu que não há vôos sem escala de PR para Dallas. Sendo assim ele deve ter parado em Miami. A equipe da ESPN está buscando esclarecer tudo isso aqui em PR.

Não vou descrever a carreira e o estilo de Andy Irons. Tricampeão, 19 vitórias no Tour, levou a etapa no Tahiti, em Teahupoo, esse ano. Isso será amplamente divulgado por todo canto. Prefiro me ater a um ponto que talvez pouca gente, entre as tantas que o idolatram ou criticam, pode saber. Andy Irons, para além do próprio personagem em que topou se transformar, seguindo o embalo generalizado de criar um contraponto para Kelly Slater, era um cara legal. Nunca foi um anjo, tinha seus problemas como todo mundo e talvez mais alguns por conta de sua personalidade obstinada.

Alguns dias antes de Andy vir a ser tricampeão mundial no Brasil [Imbituba, 2004] pude conhecê-lo, fora da praia e do contexto surf a que estamos acostumados. A situação proporcionou a chance de conversarmos um bom tempo sem nos apresentarmos oficialmente como jornalista e campeão mundial de surf. Fomos apenas dois caras trocando idéia sobre outros assuntos. Acreditem, havia muito mais sob a carapuça de “rival do Staler” que todo mundo conhece. Depois disso foi mais fácil entender algumas nuances da complexa personalidade de Andy. Virei fã do cara.

A praia está vazia. Não há ninguém no mar. Logo mais uma homenagem oficial terá lugar aqui. O ídolo será elevado definitivamente ao status dos “Deuses do Surf”. Talvez o Pipe Master passe a ter seu nome, seria justo. A Fly In The Champagne, documentário baseado na rivalidade de Andy e Slater, será revisto mundo a fora. Merece. O documentário mostrou uma relação diferente entre os dois e criou uma nova dinâmica para a rivalidade deles. Só lembrando, o documentário foi idéia do Andy.

Veículos não muito confiáveis lançam mão de uma suspeita de overdose. Tem gente perguntando se o evento aqui será cancelado. Duvido muito. Uma sombra tão densa quanto o céu dessa manhã em Porto Rico se instalou sobre a festa, mas a vida continua e não haveria forma mais digna do que homenagear Andy com surf.

Viemos para cá na esperança de assistirmos um décimo título mundial ser alcançado. Isso vai acontecer, agora ou em Pipeline, último evento da temporada 2011 do World Tour da ASP. A meu ver isso encerraria um ciclo inigualável no cenário esportivo. Só não imaginava que viesse a tomar essa dramaticidade inesperada. O rei será coroado. Seu maior oponente assistirá a isso de outra dimensão. Um final expressivo e inigualável, como o surf de Andy Irons.

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