sábado, 15 de março de 2008

Diário de um Ambientalista: Parte II - Maratona Verde

Continuação>>>.....

Texto e Fotos por: João Malavolta / Ecobservatório

Com o avanço da tarde e das negociações o ânimo dos militantes não diminuía e a sensação da batalha vencida pelos “missionários verdes" já pairava no ar, e era possível perceber a dignidade de poder fazer parte daquele ato por parte dos manifestantes que compunham a linha de frente da ocupação como uma barreira humana.



Olhares simples e trocados uns com os outros refletia o senso comum da luta social daqueles que defendem o direito de fazer de suas vidas uma causa focada para o exercício da cidadania e participação plena.



Já passava das 17:30hs quando os primeiros rumores do êxito das negociações chegaram para o publico. Uma impressão de satisfação ecoava pelas vozes daqueles que haviam saído de suas casas naquela madrugada em prol da luta contra a expansão do capital sobre a terra e que tiveram suas reivindicações atendidas.




Punhos fechados e mãos para cima demonstravam a força do braço daquela gente que ficou entrincheirada durante todo o dia à espera de ouvir o resultado da reunião. As 17:45hs abrem-se os portões do Ibama e a marcha de retirada se inicia com a sensação de missão cumprida.



O produto final da ocupação foi o compromisso firmado entre os manifestantes e o órgão publico licenciador de que as posições e as propostas de estudos que favorecem a preservação da área serão vistas e ouvidas em Brasília, através dos interlocutores dos movimentos sociais.



Na casa das leis

Mas a maratona ainda não tinha acabado, naquele mesmo dia estava prevista a reunião do grupo que esta trabalhando para frear ocupação/invasão do projeto Porto Brasil na costa da Mata Atlântica na Baixada Santista.



Após o dia inteiro de atividades e ações na sede do Ibama/SP, alguns ambientalistas não pouparam fôlego para debater a melhor forma de travar a vinda desse mega-porto, que se instalado abrirá uma enorme ferida no maior reduto de biodiversidade do mundo.

Entorno das 19:50hs os debates já estavam iniciados e muitas idéias sendo colocadas no ar. Divergências e convergências faziam da nossa casa de leis, a Assembléia legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um fórum publico aberto a participação cidadã para algumas das mentes que ali estavam defendendo a qualidade de vida em nosso Planeta.


A reunião durou aproximadamente 02:30hs e houve muita positividade no nível dos discursos que deflagraram uma importante iniciativa para consolidação dos interesses plurais que norteiam o movimento pela preservação da muralha do atlântico.

Minha maratona teve seu término nesse dia12 por volta das 23hr com uma bela noite e o acompanhamento pela internet da repercussão do ato publico na sede do Ibama/SP que mostrou o poder do movimento ambientalista paulista.

Dia 13 quarta-feira 11hr, sai do bairro do Morumbi muito satisfeito com nosso trabalho no dia anterior e nesse momento já estou sozinho, pois o meu companheiro já havia tomado outro caminho.


Quase em casa

Meu destino é a cidade de Santos onde 03 reuniões me aguardavam, inclusive o encontro que abordaria as demandas dos delegados da Baixada Santista para a Conferência Estadual do Meio Ambiente (CEMA) que será em Águas de Lindóia no interior de São Paulo no final deste mês.

Ao cruzar a Serra minha chegada à cidade de Santos por volta das 17hr climaticamente foi uma reprise da nossa ida a “Sampa”, uma chuva fina com a atmosfera do outono que já se anuncia me recebia. Em solo “santisssssssta” me dirigi a faculdade Santa Cecília para uma breve reunião que trataria do 1ª Biosurf, um campeonato de surf idealizado pelo Centro Acadêmico dos Estudantes de Biologia da Unisanta e ONG – Ecosurfi que irá realizar um dia de atividades esportivas e ambientais no Canal 1 na Praia do José Menino.

Terminado o encontro na universidade e já passava das 18:35hr e a reunião da sede do Ibama de Santos já havia começado. Cheguei no entorno das 19:45hr, pois o transporte coletivo em Santos como nas maiorias das cidades, quando se quer a condução ela não vem. A reunião estava acontecendo com cerca de 30 pessoas das principais cidades da Baixada, as quais estavam contribuindo com a formatação do texto base que deverá conter as propostas da região para a CEMA.


Depois de lida as propostas foram explanados alguns pontos de vistas e sugeridos alguns acréscimos em parte dos textos para que fossem colocados os interesses de maneira democrática no escopo do documento.

20:45hr a sala se esvazia aos poucos e ficamos sabendo que teremos ônibus, hospedagem e espaço em estandes para que possamos expor o trabalho das ONG’s que enviarão representantes.



Com essa novidade o nosso estimulo a tomar parte desse processo da CEMA se consolida dentro do movimento verde na Baixada, pois será a estrutura básica para que possamos intervir com propostas junto às políticas publicas de meio ambiente no cenário regional, estadual e nacional.

Reunião acabada e lá fui eu direto ao meu último compromisso daquelas 48hr dessa maratona verde.

Localizado entre Praia Grande e São Vicente está o Parque Estadual Xixová Japui, uma Unidades de Conservação (UC) que vem sofrendo há alguns anos um sério impacto ambiental por parte da comunidade de entorno além de visitantes que mal utilizam à área.

Devido a isso uma comissão formada por representantes da ONG SOS Itaquitanduva, que é o nome de uma das praias que o lugar abriga haviam me convidado para expor alguns dos problemas do lugar, para que eu possa ajudar em um novo processo de plano de manejo para o parque.

Estavam nesse bate papo os representantes da ONG e um amigo que é um dos maiores guerreiros anônimos do litoral paulista, que vem como voluntário do Ibama/Santos conseguindo frear o tráfico de animais silvestres nas nossas matas.

Muitas idéias e desafios comuns colocados em discusão e muito cansaço mental por minha parte se opondo a velocidade do meu raciocínio, mas conseguimos afinar idéias que devem se desdobrar em ações conjuntas para a preservação dessa UC.

Já passava das 22:40hr e já tínhamos refletido sobre como poderia ser a nossa cooperação e decidimos que iremos nos ajudar de uma forma que a comunidade local se engaje e busque através da participação popular refletir seus anseios e transforma-los em ações concretas. Essa foi nossa idéia preliminar para balizar um entendimento que englobe as pessoas pertencentes ao local.

23:45hr, chego em Itanhaém, e acordo com o meu barulho ao entrar em casa aquele que me inspira como amigo e Pai, e para ele conto parte dessa aventura que durou 48 horas, e vejo dentro dos seus olhos o alivio de me ver depois de eu passar dois dias na batalha com os “anticorpos de gaia” por um futuro menos hostil.

Até a próxima...

1 comentários:

Adorei as suas reflexões, me surpreenderam...
Acho importante a Ecosurfi se posicionar mesmo que seja contra os "grandes".
Parabéns!!!
Saudações Ecológicas.
Renata

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