segunda-feira, 24 de março de 2008

*Juventude e Meio Ambiente*

Por: Efrain Neto / EcoBlog

Estamos vivenciando um período muito interessante de nossa história naodisséia terrestre. É um momento que exige a reformulação de nossocomportamento perante a natureza e perante a própria civilização humana.Segundo o filosofo Guattari, vivenciamos a crise de três ecologias: umasocial, uma ambiental e outra tecnológica.

Para o pensador, nos encontramosem um paradoxo lancinante: de um lado, o desenvolvimento contínuo de novosmeios técnico-científicos potencialmente capazes de resolver asproblemáticas ecológicas dominantes e determinar o reequilíbrio dasatividades socialmente úteis sobre a superfície do planeta e, de outro lado,a incapacidade das forças sociais organizadas e das forças subjetivasconstituídas de se apropriar desses meios para torná-los operativos.

Do ponto de vista socioambiental, para fazer alusões, é importante destacarque a cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente acapacidade de regeneração do planeta, como aponta o estudo de PegadaEcológica da ONG Footpoint Network, que tem o Brasileiro Fábio Feldman e opesquisador William Ress, da universidade canadense de British Columbia. Em2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Réveillon, ahumanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planetasuportaria repor naquele ano.

Para que todo essa crise seja solucionada, énecessário que a sociedade dos cinco continentes mudem o padrão deexploração dos recursos e passem a utilizar apenas o que a natureza é capazde produzir e repor; essa é única maneira de saldar a dívida e solucionar oproblema que se agrava a cada dia.Caso este consumo continue em 2050 precisaremos de dois planetas Terra parapromover os recursos que requeremos.

O Brasil hoje possui uma pegadaecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior àmédia mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumosustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab/ano), mas bastante próximada mídia mundial per capta de 2,2.

Descubra sua Pegada Ecológica

<http://www.earthday.net/Footprint/index.asp>

Em meio a todo esse processo de reformulação de comportamento sobre a crisesocioambiental mundial, re-emerge o papel dos jovens articuladores. O jovem participa ativamente dos movimentos ambientais há bastante tempo. Suaparticipação é destacada, principalmente, por movimentos de denúncia,atividades sociais, eventos e a própria organização civil das ações.

A juventude se insere, portanto, num cenário de maior complexidade, cujaproblemática necessita de analises integradas – uma visão holística do seucomportamento e do comportamento da humanidade.

Para Regina Novaes, na sociedade moderna, embora haja variação dos limitesde idade, a juventude é compreendida com um tempo de construção deidentidades e de definição de projeto de futuro. A juventude é a fase davida mais marcada por ambivalências.

Os projetos do futuro que sãoconstruídas pelos jovens se encaixam perfeitamente no que chamamos deDesenvolvimento Sustentável, e o caminho que muitos jovens traçaram paraalcançar os seus sonhos é a Educação Ambiental, que se tornou meio deexpressão e manifestação do desejo de atuar e participar.

Vivenciar,desenvolver e compartilhar processos transformadores de educação ambientalmantém a chama acesa e possibilitam reflexões e mudanças.Partindo do princípio, apresentado por Reigota, de que a educação ambientalé uma proposta profunda a educação como a conhecemos, não sendonecessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão deconhecimentos sobre ecologia.

Compreendemos que a educação ambiental visanão só a utilização racional dos recursos naturais, como uma reformulação denosso comportamento, inclusive conscientizando a humanidade do seu perante opériplo humano sobre a Terra.

Para o Instituto de Estudos da Religião (ISER, 2006, os principais problemasambientais do bairro, na opinião dos jovens de 16 a 24 anos, são o climacada vez mais quente (55%), o aumento de doenças respiratórias (35%) e ocrescimento da poluição do ar (43%). E os principais problemas ambientais doBrasil, para esses mesmo jovens, são o desmatamento e a queimada deflorestas (69%), a poluição dos rios, lagos, mar e praias (43%) e a poluição do ar (33%).A juventude é o espelho retrovisor de nossa sociedade. A cada tempo e lugar,fatores históricos, estruturais e conjunturais determinam asvulnerabilidades e as potencialidades da juventude.

Os jovens do século XXI,que vivem em um mundo que conjuga um acelerado processo de globalização emúltiplas desigualdades sociais, compartilham uma experiência geracionalhistoricamente inédita, e boa parte da mudança socioambiental, que irágarantir a vida das gerações futuras, dependem de atitudes da juventude.Frutos já são colhidos pelo Brasil afora: Coletivos Jovens de Meio Ambienteem todos os estados do Brasil, Rede da Juventude pelo Meio Ambiente(Rejuma<http://www.rejuma.org.br/>)e o Grupo de Trabalho de Juventude no âmbito do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e Desenvolvimento(FBOMS<http://www.fboms.org.br/>).

Alguns instrumentos legais são relevantes para a área e merecem serdestacados: Lei 6.981/81 institui o Sistema Nacional de Meio Ambiente(SISNAMA), mas não mencionam o segmento da juventude como sendo um dos 58componentes desse sistema.

A Constituição Federal de 1988 (artigo 225) estabelece que todos possuem direito ao meio ambiente ecologicamenteequilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo epreservá-lo para as presentes e futuras gerações. Já a Lei 9.795/99 -Política Nacional de Educação Ambiental - estabelece que ela não deva seruma disciplina no ensino básico, devendo ser trabalhada de formatransversal.

Define também que a educação ambiental não se restringe aoensino formal, masque deve ser implementada na sociedade como um todo, pormeio do poder público, de instituições educativas, meios de comunicação,empresas e organizações da sociedade. Mesmo tendo respaldo jurídico para muitas de suas atitudes perante o meioambiente, a juventude ainda encontra muita dificuldade para as suasatividades.

A área é caracterizada pela inexistência de políticasespecificas para a juventude. Um das grandes dificuldades apresentadas é afalta de circulação de informações sobre o tema e sobre oportunidades,formulação e a implementação de programas de ações na área. Identifica-se,por falta de mecanismos legais, a inexistência de instâncias e espaços paraa participação da juventude no Sistema Nacional de Meio Ambiente -SISNAMA<http://www.mma.gov.br/port/conama/estr1.cfm>.

As ações ficam restritas a participação de organizações que contam com aparticipação de jovens e instituições da área ambiental.Seriam necessárias políticas federais para regulamentar a participação dajuventude.

Merecem destaque as ações voltadas à participação política dajuventude em processos consultivos e deliberativos do meio ambiente, como na Conferência Nacional de Meio Ambiente e a Conferência NacionalInfanto-Juvenil pelo Meio Ambiente.

Conferência Nacional de Juventude <http://www.juventude.gov.br/conferencia>

A Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude é um espaço dediálogo entre o poder público e a sociedade sobre os desafios do segmentojuvenil e quais alternativas devem ser tomadas pelos governos pararespondê-los.

Realizada de dois em dois anos, ela é um processo no qual os jovens e interessados na temática de todo o Brasil se reúnem para discutir asituação das pessoas que compõem esta faixa etária e apontar quais são asprioridades de ações e programas a serem desenvolvidos pelo poder público.

A conferência poderá ser uma ótima oportunidade para pontuarmos todas essas questões. Quem sabe dessa vez, a juventude e o meio ambiente ganhem umregras que viabilizem e destaquem as ações dos jovens. A partir das organizações regionais para a conferência já foi possívelobservar a promoção de programas para juventude em diversos municípios dopaís.

Alguns criaram assessorias, coordenações e, até mesmo, secretária dejuventude. Espero que essas ações realmente possam render resultadosimportantes para a manutenção de uma boa política pública para a juventude.

quinta-feira, 20 de março de 2008

PENSAR LOCALMENTE, AGIR GLOBALMENTE

Por: Marina Medina / Forja21
Colaboradora Ecobservatório

Representantes de governos regionais de 11 países e de agências ambientais de cinco continentes se reuniram ontem no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, para relatar os atuais esforços internacionais contra os efeitos das Mudanças Climáticas e também as ações dos estados brasileiros.

Esse foi o III Encontro Latino-Americano e Caribenho da Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável – nrg4sd - co-fundado pelo secretário estadual de meio ambiente Francisco Graziano Neto. África do Sul, México, Itália, Indonésia, Grã-Bretanha, Alemanha, Romênia, Bélgica, Espanha, Portugal e Argentina. Países completamente diferentes culturalmente, mas que compartilham problemas iguais decorrentes dos efeitos do aquecimento global.

São os períodos longos de sêca nas épocas mais quentes do ano, inundações e intensificação de tempestades que destroem casas, bairros inteiros e obrigam governos a tomar atitudes mais radicais como alarmes e realocação de pessoas para zonas menos vulneráveis. Mas a Ministra do Meio Ambiente, Planejamento e Desenvolvimento Econômico da província de Western Cap, na África do Sul e presidente da rede nrg4SD, Tasneem Essop, alerta “Não é hora de pessimismo, mas de ações construtivas, determinadas e urgentes. Devemos ser pró-ativos”.

E em cada discurso, ao longo da manhã fria e chuvosa de uma sexta-feira de verão, todos os participantes estrangeiros apontaram a erradicação da pobreza como uma das ações que contribuem para minimização do problema. “A luta contra a desigualdade e a pobreza é a luta contra as mudanças climáticas”, disse o Secretário de Meio Ambiente de SantaFé, Argentina, César Mackler. “Países desenvolvidos devem crescer menos, senão não será justo”, apontou o coordenador da Secretaria Geral da rede nrg4SD, Governo Basco, Sabin Itxaurraga.

Grandes cidades, grande problemas

Para Intxaurraga é importante que as grandes cidades se organizarem em rede para trocar informações e experiências, pois são elas que irão sofrer as maiores conseqüências das alterações do clima. Prevenção e adaptação é que irão diminuir a vulnerabilidade dos grandes centros. “São as grandes cidades que irão receber as hordas de pessoas dos campos, quando eles não conseguirem mais plantar(...). E são as soluções dessas cidades que irão contribuir em escala global”.

60% DAS EMISSÕES DE CO2 DE SÃO PAULO SÃO DE 5 INDÚSTRIAS

Por: Marina Medina / Forja21
Colaboradora Ecobservatório

A lista das indústriais que mais contribuem com emissões de CO2 na atmosfera ainda não foi finalizada. Das 371 empresas selecionadas, 329 responderam ao questionário, que segue critérios do Intergovernmental Panel on Climate Change – Guideline for National Greenhouse Gas Inventories – IPCC/2006 e da Diretiva da Comunidade Européia, de 1996, sobre a base de dados dos empreendimentos licenciados pela CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental.

Ontem (14) o secretário estadual de Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto, apresentou os resultados prévios desse inventário, durante o III Encontro Latino-Americano e Caribenho da Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável – nrg4sd, realizado no auditório do Ibirapuera em São Paulo. Até o momento, a produção de aço e ferro gusa é a campeã em emissões, sendo resposável por 38% em 2006.

O setor petroquímico é responsável por 25% dessas emissões. No entanto, um dado que chamou a atenção durante a fala de Graziano é de que 60% das emissões de CO2 se concentram em cinco empresas siderurgicas e petroquímicas. Em outras palavras, isso pode significar que mais da metade do CO2 lançado na atmosfera pelo estado de São Paulo está concentrado na Baixada Santista, mais especificamente no Pólo Industrial de Cubatão e nas bases da Petrobras.

A pesquisa, idealizada pelo ex-secretário estadual de Meio Ambiente José Goldemberg, está prevista para ser divulgada em 15 dias. No momento a SMA está validando os resultados obtidos e espera que as 42 empresas ainda possam entregar seus resultados. Goldemberg deve participar do lançamento desse inventário.

Além do inventário, o governo do Estado está fechando as fronteiras das rodovias, interceptando caminhões que transportam madeira que vêm do Pará, Rondônia, Mato Grosso, entre outros, para saber a origem da madeira. Em algumas cidades como Campinas e Presidente Prudente, madeireiras foram vistoriadas e em breve será implantado um cadastro onde as madereiras que fizeram parte receberão um selo verde.

O secretário citou os esforços para retirar as famílias dos bairros Cota, na Serra do Mar e dos avanços na recuperação de mata ciliar entre os canaviais. Graziano lembrou que até o final do mês recolhe sugestões no site http://www.cetesb.sp.gov.br/Tecnologia/consulta.asp para criar a lei estadual de Mudanças Climáticas.

terça-feira, 18 de março de 2008

Porto da discórdia

Por: Cristiane Prizibisczki / O Eco
Fonte: http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.Navig...

A notícia de um novo empreendimento em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, está movimentando a cidade. Basta dar uma volta pelas ruas para encontrar pessoas discutindo o assunto e manchetes de jornais que anunciam: “o Porto Brasil vem aí”.



Empreendimento da LLX Logística S/A, do empresário Eike Batista, o Porto Brasil é proclamado como "o maior da América Latina", com capacidade para receber até 11 navios e 50 milhões de toneladas de materiais por ano. Segundo o Plano de Trabalho de empresa, o desenho do empreendimento será diferenciado: os navios vão aportar em uma "ilha" em alto mar, com berços para a atracação. Ilha e berços serão protegidos das correntes marítimas por quebra-mar e conectados ao continente por uma ponte de 3 km, que possibilitará o acesso de caminhões, esteiras transportadoras e dutovias necessárias à transferência de carga.


Além da ilha, também está prevista a criação do Complexo Industrial Taniguá, na área de retro-porto. Lá, ainda segundo o Plano de Trabalho da empresa, serão instaladas indústrias automobilística e eletrônica, centros de distribuição, pátio para contêineres vazios, centros de pesquisa, fabricação de pré-moldados de concreto, metal-mecânica para fabricação de máquinas e equipamentos, processamento de carnes e outros alimentos. O investimento anunciado para a implantação dos projetos é de 4 bilhões de reais.



Segundo o cronograma da Prefeitura, um grupo de trabalho deve dedicar dois anos para a análise de custo-benefício dos projetos. Se aprovados, até março de 2012 as obras deverão ser iniciadas e, entre a primeira e segunda etapa de implantação do Porto Brasil e Complexo Taniguá, deverão se passar dez anos. No próximo dia 26 ocorre a primeira audiência pública para discutir a instalação dos empreendimentos em Peruíbe.

Impactos ambientais
Apesar de a prefeitura de Peruíbe afirmar que ainda é cedo para analisar os impactos ambientais trazidos pelos projetos da LLX, é possível fazer uma comparação com outros portos brasileiros. Segundo o pesquisador Milton Asmus, professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande e especialista em ecologia de ambientes estuários e costeiros, os impactos são muito significativos e devem ser considerados quando o processo de implantação de um porto está em análise.


Entre eles estão: mudança na dinâmica e nas características físico-químicas das águas; aumento da turgidez, o que diminui a capacidade de fotossíntese dos organismos marinhos; mudança nas características do bentos marinho (fundo), o que reflete em toda cadeia de alimentação das comunidades de peixes e aves; contaminação das águas pelo processo de dragagem da areia para obtenção do calado; destinação da areia dragada; desequilibro das áreas de produção pesqueira; mudanças da paisagem e poluição do ar. "Os aspectos ecológicos são todos impactados", diz.

A área do retro-porto, onde a LLX pretende construir o Complexo Taniguá, também deve sofrer (e muito) se o empreendimento der certo. Segundo o ornitólogo Bruno Lima, que há quatro anos faz o levantamento das aves do litoral sul paulista, o terreno é considerado a maior extensão de floresta de restinga do litoral sul e morada de animais como o papagaio-de-cara-roxa – que figura na lista vermelha de espécies ameaçadas -, gavião-pombo-pequeno, sabiá pimenta, puma, anta e macaco-prego.

"A área é uma IBA [Important Bird Area] e um dos últimos redutos de espécies super ameaçadas. Acreditamos que o papagaio-de-cara-roxa que existe lá, cuja população é de 88 indivíduos, não faça trocas genéticas com indivíduos de outros lugares pela dificuldade em ultrapassar os maciços da Serra do Itatins, por exemplo", explica.

O professor Milton Asmus também argumenta que os impactos indiretos da implantação de um empreendimento como este são muito maiores que os diretos. "O Porto de Rio Grande mudou consideravelmente os aspectos sócio-econômicos da cidade. Hoje o nosso PIB é um dos maiores do Estado, mas o Índice de Qualidade de Vida é pouco expressivo. Posso dizer que o Porto condiciona a cidade, seja no planejamento de vias, na habitação, na atração de negócios", pondera.

Segundo ele, como o Porto de Rio Grande foi criado na década de 1970, quando ainda não existia o EIA-Rima, o passivo ambiental do empreendimento foi muito grande. Vários ambientes da orla foram alterados, houve processo de favelização e crescimento do subemprego. Além disso, Asmus ainda lembra dos impactos que extrapolam a região em que o Porto gaúcho está instalado. "Centenas de quilômetros sofreram impacto, se considerada a logística, as rotas de caminhões".

Vale ressaltar que a capacidade do Porto de Rio Grande – de 25 milhões de toneladas/ano – é a metade da anunciada para o Porto Brasil. "A maioria dos danos [causados pela instalação de um porto] é irreversível. O nosso passivo ambiental foi muito grande, mas esse processo não precisa se repetir", diz Asmus. Para isso, ele defende que o processo de licenciamento dos Portos seja melhorado e que se realize uma gestão integrada das atividades.

Índios aliciados
A área em que o Porto Brasil será instalado fica entre os municípios de Peruíbe e Itanhaém, em um espaço de cerca de 53 milhões de m². O terreno, talvez o último da baixada santista com acesso ao mar, onde serra e oceano se unem, é justamente o ponto inicial de um embate. De um lado, LLX e Prefeitura de Peruíbe. De outro, ambientalistas, índios e Funai.

Plínio Melo, diretor-executivo da Organização Não-governamental Mongue, afirma que o terreno pleiteado pela LLX é uma grande área de litígio. Além da terra indígena – que ocupa cerca de 70% do terreno – há uma outra porção de antigo espólio requerido por cerca de 15 pessoas, e uma terceira de propriedade do Estado, onde funcionava uma antiga mineradora. "A negociação está sendo feita toda de forma virtual, porque a questão fundamental é a propriedade da terra", diz Melo.


Desde 2002, o terreno em que estão 52 duas famílias de tupi-guaranis espera pela demarcação. Segundo a Funai, a área foi um dos primeiros aldeamentos registrados no Brasil e, apesar da característica nômade dos indígenas, o espaço nunca deixou de abrigar a etnia. "O valor histórico e antropológico [da área] é muito grande", defende Cristiano Hutter, chefe da Funai de Itanhaém/Peruíbe.
De acordo com ele, em 2006 o Ministério da Justiça pediu que alguns detalhes da demarcação fossem revistos. Em novembro de 2007, o presidente da Funai assinou o documento final para a conclusão dos estudos e, em março, o novo documento será encaminhado para parecer do Ministério da Justiça.

Como a demarcação inviabilizaria o projeto, segundo Funai e ONGs, a LLX tem usado de estratégias questionáveis para que os índios deixem a terra. De acordo com Hutter, desde novembro pessoas ligadas ou contratadas pela empresa de Eike têm feito reuniões com os índios para tentar convencê-los a desistir da terra. Para isso, ofereceram um hotel fazenda em Itanhaém e um salário mensal. Entre essas pessoas estava até a chefe nacional dos direitos indígenas da Funai, Azilene Kaingang, exonerada recentemente do cargo. "Algumas reuniões foram feitas no meio da noite e essa história gerou briga entre as famílias", diz Hutter.

Quem confirma a história é o pajé Txeramoy, que sempre morou na região. "Eles [LLX] ofereceram melhores condições, como ônibus, casa, uma fazenda. Os índios pediram 1 milhão [de reais], mas até agora não deram nada. Hoje a aldeia está muito misturada [entre índios e brancos], a maioria quer sair, mas eu não quero sair daqui, porque foi aqui que viveram meus ancestrais", diz.

Como já se passaram alguns meses desde a primeira proposta da empresa, até os índios que queriam deixar a área se questionam sobre as boas intenções da empresa de Eike. Segundo Hutter, algumas famílias procuraram a Funai para declarar, por escrito, que não estão mais dispostas a negociar com a empresa. Isso foi o que fez o índio Domingos da Silva, uma das lideranças da aldeia.

Em carta, Silva diz: "Sei que assinei alguns documentos e solicito e informo a Funai e o Ministério Público Federal que não estou mais participando desta negociação. Inicialmente fui aliciado [...] me convenceram que eu deveria aceitar a proposta feita pela LLX [...] depois de algum tempo, me arrependi".

A denúncia do aliciamento foi feita ao Ministério Público Federal, que investiga o caso. Funai e ONGs esperam a demarcação das terras, que, apesar de darem como certa, ainda é uma incógnita. "Judicialmente é impossível que a terra não seja demarcada. Politicamente é outra história", diz Hutter. A empresa LLX foi insistentemente procurada pela reportagem de O Eco, mas não respondeu às ligações.

Prefeitura apóia
Além do aliciamento dos índios, o ambientalista Plínio Melo questiona pontos do projeto que incluem na disputa novos adversários. Ainda sobre a questão das terras, Melo pergunta-se como a empresa conseguiu protocolar o Plano de Trabalho para elaboração do EIA-Rima junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente se não possui a posse da terra.

Procurada, SMA respondeu, por meio de sua assessoria, que "o comprometimento do interessado com a área onde pretende empreender deve ser comprovado quando da apresentação do EIA/RIMA. Na fase de Plano de Trabalho não há necessidade de comprovação de posse da área, pois trata-se da manifestação de intenção de elaborar estudos visando a viabilidade ambiental do empreendimento".

Melo também questiona a possível construção de um canal para atingir o calado necessário, a forma como a produção do porto será transportada para os grandes centros - já que as rodovias e ferrovias do entorno não suportariam a demanda – e o comportamento da empresa em relação ao andamento dos trabalhos. "O projeto é muito inconsistente, a empresa demonstra total irresponsabilidade. Dependendo do interesse do momento eles dizem um número, geração de 30 mil, 10 mil, 15 mil empregos. Para uns eles falam que vão construir o canal, para outros falam que não. Mudam de discurso conforme o interesse e o interlocutor. Sinceramente, não sei se a prefeitura está agindo por incompetência ou por má fé", diz o ambientalista.

Apesar das inúmeras críticas, o poder municipal de Peruíbe apóia a construção do Porto. No dia 21 de fevereiro, a prefeita Julieta Omuro encontrou-se com o empresário Eike Batista para discutir o projeto e entregou uma carta de intenções à LLX em que se mostra favorável ao projeto, desde que a empresa demonstre que ele é "viável". “Eu tenho preocupação com as questões ambientais e sociais. Quero transparência na implementação do empreendimento”, disse a prefeita na ocasião.

Segundo o assessor direto de Julieta, Sílvio Siqueira Junior, as críticas feitas ao empreendimento são reflexos de uma "visão restrita" do processo. "A prefeitura tem que se posicionar como um todo, tem que beneficiar o maior número de pessoas. O investimento no projeto será de 4 bilhões de reais. O orçamento de Peruíbe é de 106 milhões. Imagine quantos orçamentos não cabem neste valor", disse. E a questão ambiental? "Ainda é prematuro dizer o quanto vai impactar", responde Siqueira.

Até o dia 19 de março, o grupo de trabalho criado pela Prefeitura para avaliar a viabilidade do projeto deve apresentar um relatório com as prioridades e ações a serem implementadas. A idéia da prefeitura é fazer com que a empresa desde já se aproxime e invista na cidade, com a criação de centros de capacitação, por exemplo. "Se, no final, a vinda do Porto não der certo, pelo menos eles já fizeram algo pela cidade", defende.

Quando questionado sobre a estratégia de Eike para que os índios deixem a terra, o assessor admite que "talvez o processo tenha sido equivocado", mas defende que a saída dos índios não representaria muito para o local, já que a área é insalubre. Siqueira afirmou que há, sim, o interesse em preservar a cultura indígena, mas não especificou o modo como esse processo se daria. O assessor também afirma que o poder público municipal não tem condições de fiscalizar a área e que há um grande risco de ela se tornar uma favela, já que o número de invasões cresce a cada dia.

"O Eike por si só já gera polêmica e sabemos que ele não é nenhum santo [...] Ele é audacioso e imprevisível, por isso a prefeitura quer estar no comando das negociações. O empreendimento é polêmico, é tudo o que você imaginar, mas temos de dar um crédito de confiança para que ele mostre desde já por que veio", disse Siqueira.

sábado, 15 de março de 2008

Diário de um Ambientalista: Parte II - Maratona Verde

Continuação>>>.....

Texto e Fotos por: João Malavolta / Ecobservatório

Com o avanço da tarde e das negociações o ânimo dos militantes não diminuía e a sensação da batalha vencida pelos “missionários verdes" já pairava no ar, e era possível perceber a dignidade de poder fazer parte daquele ato por parte dos manifestantes que compunham a linha de frente da ocupação como uma barreira humana.



Olhares simples e trocados uns com os outros refletia o senso comum da luta social daqueles que defendem o direito de fazer de suas vidas uma causa focada para o exercício da cidadania e participação plena.



Já passava das 17:30hs quando os primeiros rumores do êxito das negociações chegaram para o publico. Uma impressão de satisfação ecoava pelas vozes daqueles que haviam saído de suas casas naquela madrugada em prol da luta contra a expansão do capital sobre a terra e que tiveram suas reivindicações atendidas.




Punhos fechados e mãos para cima demonstravam a força do braço daquela gente que ficou entrincheirada durante todo o dia à espera de ouvir o resultado da reunião. As 17:45hs abrem-se os portões do Ibama e a marcha de retirada se inicia com a sensação de missão cumprida.



O produto final da ocupação foi o compromisso firmado entre os manifestantes e o órgão publico licenciador de que as posições e as propostas de estudos que favorecem a preservação da área serão vistas e ouvidas em Brasília, através dos interlocutores dos movimentos sociais.



Na casa das leis

Mas a maratona ainda não tinha acabado, naquele mesmo dia estava prevista a reunião do grupo que esta trabalhando para frear ocupação/invasão do projeto Porto Brasil na costa da Mata Atlântica na Baixada Santista.



Após o dia inteiro de atividades e ações na sede do Ibama/SP, alguns ambientalistas não pouparam fôlego para debater a melhor forma de travar a vinda desse mega-porto, que se instalado abrirá uma enorme ferida no maior reduto de biodiversidade do mundo.

Entorno das 19:50hs os debates já estavam iniciados e muitas idéias sendo colocadas no ar. Divergências e convergências faziam da nossa casa de leis, a Assembléia legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) um fórum publico aberto a participação cidadã para algumas das mentes que ali estavam defendendo a qualidade de vida em nosso Planeta.


A reunião durou aproximadamente 02:30hs e houve muita positividade no nível dos discursos que deflagraram uma importante iniciativa para consolidação dos interesses plurais que norteiam o movimento pela preservação da muralha do atlântico.

Minha maratona teve seu término nesse dia12 por volta das 23hr com uma bela noite e o acompanhamento pela internet da repercussão do ato publico na sede do Ibama/SP que mostrou o poder do movimento ambientalista paulista.

Dia 13 quarta-feira 11hr, sai do bairro do Morumbi muito satisfeito com nosso trabalho no dia anterior e nesse momento já estou sozinho, pois o meu companheiro já havia tomado outro caminho.


Quase em casa

Meu destino é a cidade de Santos onde 03 reuniões me aguardavam, inclusive o encontro que abordaria as demandas dos delegados da Baixada Santista para a Conferência Estadual do Meio Ambiente (CEMA) que será em Águas de Lindóia no interior de São Paulo no final deste mês.

Ao cruzar a Serra minha chegada à cidade de Santos por volta das 17hr climaticamente foi uma reprise da nossa ida a “Sampa”, uma chuva fina com a atmosfera do outono que já se anuncia me recebia. Em solo “santisssssssta” me dirigi a faculdade Santa Cecília para uma breve reunião que trataria do 1ª Biosurf, um campeonato de surf idealizado pelo Centro Acadêmico dos Estudantes de Biologia da Unisanta e ONG – Ecosurfi que irá realizar um dia de atividades esportivas e ambientais no Canal 1 na Praia do José Menino.

Terminado o encontro na universidade e já passava das 18:35hr e a reunião da sede do Ibama de Santos já havia começado. Cheguei no entorno das 19:45hr, pois o transporte coletivo em Santos como nas maiorias das cidades, quando se quer a condução ela não vem. A reunião estava acontecendo com cerca de 30 pessoas das principais cidades da Baixada, as quais estavam contribuindo com a formatação do texto base que deverá conter as propostas da região para a CEMA.


Depois de lida as propostas foram explanados alguns pontos de vistas e sugeridos alguns acréscimos em parte dos textos para que fossem colocados os interesses de maneira democrática no escopo do documento.

20:45hr a sala se esvazia aos poucos e ficamos sabendo que teremos ônibus, hospedagem e espaço em estandes para que possamos expor o trabalho das ONG’s que enviarão representantes.



Com essa novidade o nosso estimulo a tomar parte desse processo da CEMA se consolida dentro do movimento verde na Baixada, pois será a estrutura básica para que possamos intervir com propostas junto às políticas publicas de meio ambiente no cenário regional, estadual e nacional.

Reunião acabada e lá fui eu direto ao meu último compromisso daquelas 48hr dessa maratona verde.

Localizado entre Praia Grande e São Vicente está o Parque Estadual Xixová Japui, uma Unidades de Conservação (UC) que vem sofrendo há alguns anos um sério impacto ambiental por parte da comunidade de entorno além de visitantes que mal utilizam à área.

Devido a isso uma comissão formada por representantes da ONG SOS Itaquitanduva, que é o nome de uma das praias que o lugar abriga haviam me convidado para expor alguns dos problemas do lugar, para que eu possa ajudar em um novo processo de plano de manejo para o parque.

Estavam nesse bate papo os representantes da ONG e um amigo que é um dos maiores guerreiros anônimos do litoral paulista, que vem como voluntário do Ibama/Santos conseguindo frear o tráfico de animais silvestres nas nossas matas.

Muitas idéias e desafios comuns colocados em discusão e muito cansaço mental por minha parte se opondo a velocidade do meu raciocínio, mas conseguimos afinar idéias que devem se desdobrar em ações conjuntas para a preservação dessa UC.

Já passava das 22:40hr e já tínhamos refletido sobre como poderia ser a nossa cooperação e decidimos que iremos nos ajudar de uma forma que a comunidade local se engaje e busque através da participação popular refletir seus anseios e transforma-los em ações concretas. Essa foi nossa idéia preliminar para balizar um entendimento que englobe as pessoas pertencentes ao local.

23:45hr, chego em Itanhaém, e acordo com o meu barulho ao entrar em casa aquele que me inspira como amigo e Pai, e para ele conto parte dessa aventura que durou 48 horas, e vejo dentro dos seus olhos o alivio de me ver depois de eu passar dois dias na batalha com os “anticorpos de gaia” por um futuro menos hostil.

Até a próxima...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Diário de um Ambientalista: Parte I - Maratona Verde

Texto e Fotos por: João Malavolta / Ecobservatório

Ser ambientalista é compreender as diversas classes de lutas, formas de ação, atitudes individuais que beneficiam o bem coletivo, ocupar idéias de mentes desocupadas e possibilitar uma nova compreensão da vida social dentro do ponto de vista sustentável.



Nas ultimas 48hs, uma maratona verde dentro do movimento ambientalista paulista foi empenhada na resolução dos problemas de ordem socioambiental que interrompem a preservação no nosso estado.

Da ocupação do Ibama em São Paulo pelo movimento contra o projeto da barragem de Tijuco Alto no Vale do Ribeira, passando pela Assembléia Legislativa do estado de São Paulo na audiencia sobre o projeto Porto Brasil a reunião dos delegados da Baixada Santista da Confêrencia Estadual do Meio Ambiente na sede do Ibama em Santos, muitas idéias e ações foram encadeadas e debatidas.




Na terça-feira (12), por volta das 18h saímos do litoral para a cidade de São Paulo, onde ficaríamos hospedados na casa de um nobre amigo no bairro do Sumaré. Chegando à capital, a cidade da garoa nos recebeu com uma leve chuva, pegamos o metrô e ao sair caminhamos por alguns minutos, e lá estávamos nós no nosso destino.

Como dizem as pessoas que trabalham em redes virtuais, “às @ se transformam em carinhas”, e foi isso que aconteceu. O local que nos acolheu em “sampa” foi a “ecohause” do Gustavo Cherubine, um grande companheiro de lutas pelo movimento ambientalista paulista e brasileiro, o qual eu só conhecia pela internet e tive a satisfação de conhecer pessoalmente, um dia antes daquilo que seria o objetivo central da nossa “eco-epopéia”.

Por volta das 22hs já estávamos estalados, e começamos a discorrer dos assuntos que nos sobram vontade de discutir, participação popular, políticas públicas, militância entre vários outros. A casa que nos recebeu pode ser vista como um exemplo de espaço de interação social para as pessoas que fazem o “rolê” na busca de entender os desafios que todos os dias são colocados à frente do espectro comum e social que falta a maior parcela da sociedade.




Após horas de idéias e ideais trocados, por advogados, jornalistas, filósofos, indivíduos com saberes populares e etc, já passava da 03:30h da manhã da quarta-feira (13) e teríamos no máximo 4h para descansar, mas as construções feitas pelos diálogos foram muito produtivas dentro da perspectiva conceitual e do ponto de vista de cada um baseado em suas vivencias individuais.


E lá estávamos nós despertos as 07:00h por um telefone celular e dali em diante tudo poderia acontecer.

Despedimos-nos das pessoas da casa e tomamos o nosso caminho em direção a sede estadual do Ibama que fica próxima a Avenida Paulista. Ao nos aproximarmos do local, os tambores da paz já ecoavam pelos prédios da redondeza.


Aquilo que esperávamos que tivesse acontecido e que foi o principal motivo da nossa ida a “Sampa” já havia sido realizado. Dezenas de militantes dos movimentos sociais do estado e organizações ambientalistas já haviam ocupado de maneira pacifica as dependências do Ibama.

Durante as horas que se seguiram muita musica e palavras de ordem foram emadas pelos manifestantes em meio à presença dos policiais que faziam o seu papel de agentes da lei.

Muitas câmeras de TV, maquinas fotográficas e jornalistas já estavam a postos para acompanhar e transformar aqueles fatos em noticia, era para ser uma dia comum, mas força daqueles que acreditam que um outro mundo é possível estava presente e lutando para que o principal reduto da Mata Atlântica não seja alagado pelo interesse individual de um empresário maníaco pelo poder econômico.

Aproximadamente 12hs de negociações dentro das dependências do Ibama com a possibilidade das exigências serem atendidas motivava as pessoas que dançavam e cantavam na chuva, entonados pela harmonia e a cultura de paz que o ambientalismo cultua.

Confira a Galeria de Fotos do Ato Público: http://picasaweb.google.com.br/joaomalavolta/OcupaODoIbamaSPFotosPorJoOMalavolta
Continua>>>.....

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ocupação do Ibama em São Paulo

Por: Camila Melo - Fotos: João Malavolta / Ecobservatório
Na manhã desta quarta-feira, 12 de março, cerca de 700 pessoas ocuparam a Superintendência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), em São Paulo.

Os manifestantes, vindos principalmente da região do Vale do Ribeira, têm por objetivo protestar contra o parecer técnico do Ibama favorável à liberação das obras da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto.

Apesar do repúdio da população local à construção de hidrelétricas, técnicos do Ibama emitiram, em 26 de fevereiro de 2008, o parecer 07/2008 favorável à implantação da barragem.

Essa decisão desconsidera uma série de fatores fundamentais, tais como: pareceres técnicos que indicavam problemas após a construção do reservatório; questões que dizem respeito à segurança da barragem, inundação de cavernas e de áreas agricultáveis, qualidade da água (esgoto e chumbo); redução da pesca da manjuba - base econômica de mais de quatro mil famílias; expulsão de famílias de suas localidades de origem.

Além da construção da UHE Tijuco Alto, os inventários hidrelétricos do Rio Ribeira de Iguape apontam para a implantação de mais três usinas: Funil, Itaoca e Batatal.

Se construídas, as barragens inundarão permanentemente uma área de, aproximadamente, 11 mil hectares, abrangendo cerca de 26 municípios dos estados de São Paulo e Paraná. Vale frisar que a área atingida é conhecida como Amazônia Paulista – parte importante do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil.


Os manifestantes não aceitam que, mais uma vez, o poder econômico prevaleça sobre o poder do conhecimento tradicional e científico. Isto se torna mais grave quando se sabe que a energia elétrica gerada por esta barragem será exclusivamente utilizada pela CBA/Votorantim (Companhia Brasileira de Alumínio) para produção de alumínio.

Sabe-se também que grande parte dessa produção será exportada, uma vez que, os maiores produtores de alumínio no mundo (Canadá e Estados Unidos) já esgotaram as possibilidades de produção em seus territórios dada a escassez de água provocada pela utilização em larga escala nesse processo.

Dessa forma, os moradores do Vale do Ribeira não terão nenhum benefício com esta grande obra. Ou seja, não há interesse público nela.
Considerando que o Ribeira de Iguape é o único rio de médio ou grande porte que ainda corre livre no estado de São Paulo e que alimenta o povo da região, a UHE Tijuco Alto representa a MORTE e os povos do Vale do Ribeira querem a VIDA.

Serviço
Ibama – Alameda Tietê, 637 – Cerqueira César – São Paulo
Informações: Assessoria – (13) 8125-6922 Iacy blog:
terrasimbarragemnao.blogspot.com

Ocupação do Ibama em São Paulo I

Ocupação do Ibama em São Paulo II

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Cientistas alertam para extinção em massa no ecossistema marinho em décadas


A vida marinha poderá sofrer extinção em massa em poucas décadas se a pesca intensiva, as mudanças climáticas, a acidificação da água, a poluição e o desenvolvimento litorâneo não forem combatidos, segundo um relatório apresentado hoje pela ONU.

O relatório "In Dead Water" ("Em Águas Mortas"), elaborado por uma equipe de cientistas por incumbência do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), cujo 10ª conselho especial termina hoje, em Mônaco, traça um panorama tenebroso."Há 65 milhões de anos, quando desapareceram os dinossauros, o mar estava saturado de dióxido de carbono (CO2).

Em poucas décadas, a partir de agora, a água do mar será ainda mais ácida do que naquela época".A afirmação pessimista é de Ken Caldeira, da Universidade de Stanford, que, junto com outros cientistas e o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, apresentou o relatório à imprensa.Steiner resumiu as ameaças que assolam os oceanos: a pesca intensiva e as más práticas pesqueiras, como o arrasto e a pesca em profundidade, as mudanças climáticas e a poluição litorânea.

Segundo o diretor-executivo do Pnuma, "seria uma irresponsabilidade culpar uma só delas, mas, em coro, farão com que em 30 ou 40 anos desapareça a indústria pesqueira e aconteça o colapso biológico dos mares".

O relatório indica que a metade das capturas pesqueiras do mundo acontece em menos de 10% do oceano. É nesta área que se produz a maior parte da atividade biológica de espécies consideradas chave na cadeia alimentar.Devido às mudanças climáticas, "com o aumento de 3 graus na temperatura das águas superficiais, mais de 80% dos corais - fundamentais na ecologia marinha - podem morrer em décadas, entre 80% e 100% em 2080", segundo o relatório.

A acidificação do mar, devido à dissolução de CO2 provocada pelo uso de combustíveis fósseis, em poucas décadas danificará também os corais e outras espécies que metabolizam conchas calcárias.Ainda segundo o relatório, o desenvolvimento litorâneo "aumenta rapidamente" e há a previsão de que "atinja negativamente 91% de todas as costas desabitadas até 2050, contribuindo majoritariamente para a poluição do mar".

As mudanças climáticas afetam negativamente "a circulação termoalina - grandes correntes - e o fenômeno de fluxo e refluxo de água continental, crucial para 75% das pescas".Em conjunto, a poluição litorânea e as mudanças climáticas "acelerarão o desenvolvimento de zonas mortas, muitas delas próximas a plataformas pesqueiras".

O número de zonas mortas - regiões com hipóxia (falta de oxigênio) - aumentou de 149 em 2003 para 200 em 2006, afirma o relatório apresentado."A pesca intensiva e o arrasto de fundo estão degradando o habitat e ameaçando a produtividade e a diversidade biológica.

As áreas danificadas pelos arrastos levarão vários séculos para se recuperar", advertem os cientistas."Já existem projeções que indicam o colapso da indústria pesqueira como resultado da superexploração, e é muito provável que esse colapso se antecipe, como resultado de múltiplos fatores que atuam de forma combinada", afirmaram os cientistas em Mônaco.

Os fenômenos prejudiciais aos mares também incluem os efeitos causados pelas mudanças climáticas na atmosfera, o degelo e o conseqüente aumento do nível do mar, segundo os oceanógrafos.

Fonte: EFE

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Toque Ecológico: Consciência e memória ambiental — Não custa nada cuidar do próprio lixo

Por: Marcelo Szpilman / www.mergulho.com.br

O tradicional e exuberante encontro do mar com a Mata Atlântica em toda Costa Verde do nosso litoral, onde, felizmente, ainda existem faixas bem conservadas, sempre me faz refletir sobre a semelhança de visual encontrado pelos primeiros navegantes que aqui aportaram e a importância de se preservar essa memória ambiental.De lá para cá, a crescente e desordenada ocupação da zona costeira por loteamentos e o grande incremento das atividades esportivas e de lazer ligadas ao mar têm provocado uma forte pressão impactante sobre os ecossistemas locais.

Quem não gosta de ancorar o barco em uma enseada com águas claras e limpas ou frequentar uma praia com a areia branquinha? Porém, poucos sabem que manter esses ambientes limpos vai além da educação e do aspecto puramente visual.

Os canudinhos, pontas de cigarro, cotonetes, tampinhas e sacos plásticos descartados de forma incorreta poluem nossos mares e podem provocar uma significativa mortandade de inocentes animais marinhos. Linhas de pesca, cabos e restos de redes abandonados no mar permanecem nesse ambiente por muitos anos e acabam vitimando inúmeros animais que se enroscam e acabam morrendo por asfixia ou por inanição.

Peixes, tubarões, aves, focas, golfinhos e tartarugas são as principais vítimas. Confundem os detritos que ficam boiando no mar com alguns dos alimentos que formam parte de sua dieta e podem morrer de inanição. Um saco plástico à deriva no mar é facilmente confundido com a água-viva, componente alimentar de várias espécies de tartarugas-marinhas.

Engolindo o saco plástico, a tartaruga pode morrer sufocada. Golfinhos já foram encontrados com o estômago cheio de lixo que veio das cidades.

Assim, lembre-se na próxima vez que for passear de barco ou freqüentar alguma praia: seja consciente. Não custa nada levar um saco plástico para jogar seu proprio lixo e, quando for embora, levá-lo com você para ser descartado corretamente na lixeira.Poder vislumbrar dias melhores para o ambiente marinho e para nós mesmos só reforça a importância do cuidado e do respeito que devemos ter pelo Planeta que nos sustenta.

Marcelo Szpilman, Biólogo Marinho formado pela UFRJ, com Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela Coppe/UFRJ, é autor do livro Guia Aqualung de Peixes, editado em 1991, de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide To Fishes, editado em 1992, do livro Seres Marinhos, editado em 1998/99, do livro Peixes Marinhos do Brasil, editado em 2000/01, do livro Tubarões no Brasil, editado em 2004, e de várias matérias e artigos sobre a natureza, ecologia, evolução e fauna marinha publicados nos últimos anos em diversas revistas e jornais e no Informativo do Instituto. Atualmente, Marcelo Szpilman é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor e Redator do Informativo do citado Instituto, diretor do Projeto Tubarões no Brasil (Protuba) e membro da Comissão Científica Nacional (Cocien) da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Discurso: Antigo, atual e urgente...



Canadense Severn Suzuki da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente, durante a RIO 92 - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento. Com 12 anos à época, ela faz um apelo aos Chefes de Estado presentes na Conferência.

Fonte:(Envolverde/YouTube) www.envolverde.com.br

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

"Sustentabilidade e Desenvolvimento Humano" marca a estréia de vídeos na Envolverde


Nos últimos anos vem crescendo a busca por modelos sustentáveis de desenvolvimento. Para contribuir com a assimilação do conceito, a Envolverde criou a sua definição:

Filantropia - é dar peixe a quem tem fome.

Responsabilidade Social - é ensinar a pescar.

Sustentabilidade - é cuidar do rio, das matas ciliares, da água e cuidar para que existam peixes para sempre.

www.envolverde.com.br

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mapa mostra impacto de ação humana sobre oceanos

Um mapa feito por cientistas americanos e divulgado nesta sexta-feira na revista científica Science mostra que 41% dos oceanos do mundo foram afetados, em menor ou maior grau, pela ação humana.

Para mapear o impacto da atividade humana nos ecossistemas marítimos, os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, fizeram uma sobreposição de 17 mapas que demonstravam o impacto de fatores diversos, como a pesca, a poluição e a mudança climática.

Os mapas foram feitos com base em um estudo que analisou o impacto dos seres humanos em ecossistemas como os recifes de corais, as colônias de algas marinhas, plataformas continentais e os oceanos profundos. O mapa mostra que as áreas mais afetadas pelo impacto humano são o Mar do Norte, Mar da China Oriental e Meridional, Mar do Caribe, a costa leste da América do Norte, os mares Mediterrâneo e Vermelho,o Golfo Pérsico, o Mar de Bering e várias regiões do Pacífico Oeste.

O estudo indica ainda que as áreas menos afetadas são aquelas próximas aos pólos. "Este projeto nos permite começar a ver o cenário do impacto dos humanos nos oceanos", diz Ben Halpern, que liderou o estudo. "Os resultados mostram que, somados, os impactos individuais revelam uma situação muito pior do que imagino que as pessoas esperavam. Certamente foi uma surpresa para mim", afirma.

Brasil
Segundo os cientistas, a influência dos humanos varia de forma significativa de acordo com cada ecossistema. Nas áreas mais afetadas, por exemplo, há grande concentração de recifes de coral, algas marinhas, mangues e montanhas marinhas. Já os ecossistemas menos afetados são áreas de oceanos abertos e onde o fundo do mar é mais liso.

O mapa revela que em grande porção da costa brasileira, o impacto dos humanos é “médio alto”, o que indicaria uma influência de 4,95 até 8,47%. No entanto, enquanto algumas áreas na costa sul do Brasil o impacto aparece mais ameno, uma grande faixa da costa sudeste do país revela um impacto alto, maior que 15,52%.
Processo
A pesquisa envolveu quatro etapas. Na primeira, os cientistas desenvolveram técnicas para quantificar e comparar o impacto das atividades humanas em diferentes ecossistemas. Na segunda etapa, a distribuição dos ecossistemas e das influências humanas foi analisada. Os cientistas então combinaram as duas informações – a distribuição e o impacto – para determinar “os índices do impacto humano” para cada região do mundo.
Finalmente, os cientistas usaram estimativas sobre as condições dos ecossistemas marítimos já disponíveis para fundamentar ainda mais os índices levantados pela pesquisa. Os cientistas afirmam que, apesar dos esforços, o mapa ainda é incompleto, já que os dados sobre algumas atividades humanas ainda é escasso.
Futuro
Apesar do cenário revelado pela pesquisa, os cientistas sugerem que ainda há tempo para tentar preservar os oceanos. "Há certamente espaço para a esperança", diz Carrie Kappel, que participou do estudo. "Com esforços para proteger as porções dos oceanos que ainda continuam puras, temos uma boa chance de preservar estas áreas em boas condições", afirma.
De acordo com o estudo, o mapa poderá servir como referência para o desenvolvimento de políticas de conservação e manutenção, além de oferecer informações sobre o impacto de certas atividades. "O homem sempre usará os oceanos para recreação, extração de recursos e outras atividades comerciais, como o transporte marítimo. O que precisamos é fazer isso de forma sustentável para que os oceanos continuem saudáveis e continuem a nos oferecer os recursos que precisamos", conclui Halpern.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Campus Party 2008 - No final um novo começo

Por: João Malavolta / Ecobservatório

Com muitas opiniões, ideais e novas tecnologias a Campus Party 2008 chegou ao fim no ultimo domingo (17) em solo Tupiniquim, mas com uma grande missão, que será a “transparência verde” para os próximos eventos que seguirão pelo mundo e em especial na próxima edição aqui no Brasil.

O desafio para a organização das próximas CP será o de tornar cada vez mais sustentável os locais da realização da “festa”, espaços esses que na edição brasileira serviram para que fossem socializadas novas tecnologias e formas de trabalhar via WEB.

Durante o andamento do evento e devido falta de visão da organização da CP frente à urgência das questões ambientais, uma oportunidade surgiu em meio aquele emaranhado tecnológico, ou seja, uma pontinha verde dentro daquela imensidão cinza das maquinas de teclar, que possibilitou um amplo debate para os jovens que entendem e sabem o poder de ganho e perdas de uma “pegada ecológica” mal andada.




O Campus Verde que seria a base operacional da militância ambientalista dentro dessa esfera tecnológica se tornou apenas um espaço imaginário dentro das possibilidades idealizadas pelos cyber-ambientalistas que se apropriaram do espaço. No entanto as vozes relutantes pelo discurso sustentável foram ouvidas.

No sábado (16) o vice-presidente de operações da E3-Futura e coordenador do Campus Verde da Espanha, Juan Negrillo, se juntou aos campuseiros verdes para falar sobre as falhas e as possíveis ações que poderão ser implementadas para as futuras CP pelo mundo.



Na visão de Negrillo ele se vislumbrou com a preocupação dos ambientalistas quando o assunto é sustentabilidade. “Aqui no Brasil a preocupação com o meio ambiente por parte das pessoas que discutem o tema é algo muito bom e é difícil de ver isso em outros paises”.

Após o final da reunião um novo começo de idéias surgiram quando o pensamento se dirigia a próxima edição da CP. Alguns produtos já podem ser acessados pelos interessados pelo Campus Verde, como a página www.campusverde.info onde nela está postado a grande maioria dos “post’s” dos “Blogueiros Verdes” que espremeram de idéias sustentáveis os organizadores do evento.

Mas a maior transformação que devera acontecer dentro de uma visão integradora que a WEB possibilita será no campo das atitudes frente ao desafio da preservação ambiental. Todas as informações captadas e transmitidas pelos milhares de participantes que se cruzaram na CP provavelmente podem ser efetivadas, mas, todavia a conecção que devera ser estabelecida entre os campuseiros para um novo olhar sobre o poder da tecnologia, será a visão que norteara a mudança dos hábitos individuais dentro de um principio ambiental para que seja desmaterializado os estímulos inconscientes ao consumo, despertando dessa maneira uma visão cognitiva para uma educação sustentável.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

A real da reciclagem no Campus Party

Por: Diego Fernandes



O campus verde foi mais publicidade do que prática. Empresas importantes patrocinaram esta área do Campus Party e segundo os organizadores o lixo estava sendo coletado e reciclado. Os coletores de material reciclado estavam em muitos lugares e havia um contêiner especial para o lixo separado.

A verdade é que o lixo não foi separado pelos participantes nas lixeiras coloridas, e mesmo se fosse, seria juntado em um saco só e arremessado num container sem coleta seletiva nenhuma. Os verdadeiros responsáveis pela reciclagem do lixo do evento, foram dois catadores que coletam latas de alumínio e papelão. José Martins da Silva, 50 anos, pedreiro desempregado há 5 anos; e Jéferson Pereira dos Santos, 36 anos, metalúrgico desempregado há 2 anos, dormem na entrada de um banco da avenida paulista e vendem as latinhas a R$ 2,75 o quilo, e o papelão a R$ 0,30 o quilo. Há um terceiro catador que empresta o carrinho para transportar o material coletado que mora num albergue municipal.

Na quinta-feira eles se alimentaram dos restos de comida que encontraram no contêiner de lixodo evento, e hoje, graças aos 10 quilos de alumínio e aos 110 quilos de papelão que venderam, cada um ganhou 20 reais. Compraram café da manhã, almoçaram marmitex de R$ 7 e ainda tinham dinheiro na tarde de sexta, quando vieram coletar mais papéis e latas. No mesmo dia em queos catadores comiam restos do lixo do evento, os organizadores, palestrantes e VIPs, comiam lanchinhos com tomate seco, espetinhos de queijo de cabra e tomavam champagne caríssimo no coquetel do Steve Johnson.


A empresa contratada para a limpeza do evento (contratada mais de 6 meses antes do início do evento) também presta serviço de coleta seletiva e destina para a reciclagem, mas este serviço não foicontratado pela organização do evento, logo a empresa contratada não teve nenhuma responsabilidade em separar e destinar corretamente o lixo.

A coordenadora do conteúdo do campus verde (contratada 4 dias antes do início do evento), não conseguiu organizar a coleta e destinação do lixo, mesmo porque deveria coordenar as atividades e não a logística do campus verde. Apesar da tentativa de colocar lixeiras de coletaseletiva e uma caçamba para o lixo que fosse separado, o qual seria doado a uma cooperativa de reciclagem.

Espero que a próxima edição do evento não seja tão cinza, e que a empresa de limpeza só realize eventos com coleta seletiva e destinação para a reciclagem. O campus verde se resumiu a poucas palestras sem participação e prêmios do planeta sustentável.

Campus Party 2008 - Muitos olhares em rede e pouca visão sustentável

Por: João Malavolta / Ecobservatório

É dessa maneira que ecobservamos os compuseiros na edição brasileira do Campus Party Brasil 2008 que é considerado o maior evento de entretenimento eletrônico do mundo. Muita gente, muito consumo e muito lixo produzido e com um sistema pouco eficiente de gestão ambiental e informações sobre a questão.

Cerca de 3 mil pessoas participam das atividades que acontecem no prédio da Bienal do Ibirapuera em São Paulo desde o ultimo dia 11. De acampamentos as mais novas tecnologias de informática e robótica, mas a necessidade de “pensar verde” passou longe daqui.

Possivelmente houve uma tentativa de agir local, nessa causa que é global através do Campus Verde, que teria que ter amadurecido para satisfazer a necessidade dos cyber-ativistas ambientais, porém até agora esta sendo apenas um pequeno fragmento espacial dentro da magnitude dos estandes das grandes empresas de mídia que ocupam quase a totalidade do lugar.

O grande desafio do CP-Brasil 2008 é o de otimizar o uso de novas tecnologias para possibilitar o maior entretenimento possível dos participantes, no entanto essa foi uma oportunidade desperdiçada de enraizar a questão ambiental de fato junto aos internéticos campuseiros que estão totalmente atentos as inovações tecnológicas e olham timidamente para a o desafio da preservação ambiental.

Dentro da visão ambientalista muitos dos companheiros dos “Blogs Verdes” estão insatisfeitos com o rumo que as coisas tomaram. Segundo a “Bioguiera” Paula Signorini do blog
Rastro de Carbono, que vem repercutindo os seus “posts” sobre a responsabilidade ambiental do evento. “A ausência de um sistema de gestão ambiental e um programa de sustentabilidade torna o evento irresponsável”.

O entendimento do pensar sobre como e o que podemos fazer para melhorar o ambiente em que habitamos sugere que qualquer ação que mobilize a opinião pública e que articule os cidadãos seja um espaço de fomento de praticas sustentáveis a serviço da cidadania planetária.

De acordo com a editora e design Lyanne Rehder do blog
Viajante Consciente o evento poderia ter utilizado da própria tecnologia para sensibilizar os campuseiros sobre uma conduta sustentável. “Através do envio de e-mails diários com informações “verdes” para os inscritos seria possível torna-los mais educados dentro de um principio de sustentabilidade”.

Contudo desta maneira nos dia atuais vemos um paradigma que nos mostra dois lados opostos. O de nos conformarmos com tudo o que esta acontecendo com o meio ambiente e com as pessoas a nossa volta e se render a um sistema equivocado de existência.

Ou o que tange a nossa resignação para tentarmos uma reação em cadeia, através de ações incisivas no nosso modo de vida e de pensar afim da construção de um novo consciente coletivo voltado a sustentabilidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Campuseiros verdes enganados pelo lixo e pelo plantio de árvores

Por: Diego Fernandes

As pessoas que se reuniram para contribuir com a formação do grupo campus verde dedicaram seu tempo a tentar reverter a falta de planejamento, quando na verdade deveriam ter focado suas ações na produção de conteúdo, interação com os campuseiros e consolidação do grupo de discussão criado.


A iniciativa do grupo campus verde no www.groups.google.com/groups/campus-verde já tem participação de dezenas de pessoas, e é o que discutirá as medidas necessárias para implementar nos próximos campus-party ano que vem um campus verde mais sustentável, ético e solidário.

A organização do campus party contratou a empresa de limpeza sem exigir que o serviço de coleta seletiva e destinação adequada dos resíduos do evento. O responsável pela empresa assumiu, quando a situação nos conteineres estava dramática, devido à ação dos catadores, que poderia ter contratado 4 pessoas a mais para cuidar da coleta seletiva, separação e destinação correta dos resíduos parareciclagem, pelo mesmo valor do pacote fechado com a organização. Os organizadores espanhóis não precisam se preocupar com isso na europa, já que todos devem realizar coleta seletiva por lei.

Aqui tiveram um incoveniente, o jeitinho brasileiro da empresa de limpeza, que viu nos estrangeiros desinformados uma oportunidade de lucro. Os encarregados da limpeza desta empresa ganham 30 reais por dia, menos de 10 euros, enquanto na europa, segundo Juán Negrillo, ganham 100 euros.

O evento deveria contratar cooperativas de limpeza, para contribuir com o desenvolvimento sócial além do ambiental. O campus party deve incentivar ações de comércio justo, economia solidária, consumo responsável, utilizando produtos e serviços financeiramente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente justos.

O plantio de uma muda por participante prometido pela organização ainda não aconteceu, 3।300 mudas devem ser plantadas de acordo com as normas de diversidade de espécies, e preferencialmente emreflorestamento de mata ciliar. Para isso ainda não foi elaborado um projeto, que provavelmente será contratado de entidades de grande porte como SOS Mata Atlantica ou Instituto Socioambiental.

O processo de avaliação do evento também é necessário, pesquisas de opinião e caixa de sugestões devem ser espalhadas, enquetes e formulários publicados na internet para quantificar, qualificar ecomparar o pensamento dos campuseiros, e também de todos interessados em tecnologia.

O Brasileiro é o usuário mais ativo na internet, devemos utilizar as ferramentas de software livre, o ambiente colaborativo, e a acessibilidade dos gerenciadores de conteúdo para divulgar, armazenar e produzir informações. Temos o direito de nos organizar em redes sociais, e deliberar propostas para solucionar problemas comuns, exercendo assim nossa cidadania na única verdadeira democracia nomundo, porque a Internet não é uma rede de computadores, mas uma redede pessoas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Campus Party e a neutralização de carbono

Por: Paula Signorini / www.rastrodecarbono.blogspot.com

Há o que eu chamo de "desinformação" no Campus Party, quando o assunto é a neutralização de carbono do evento.

Todo mundo sabe que minha opinião sobre neutralização de carbono se apóia, principalmente, em dois fatos:

1) A árvore plantada hoje demorará uns 20 anos para neutralizar as emissões de um evento. É um ser vivo, que pelo simples fato de crescer, acumula carbono em sua estrutura. Para isso, haja fotossíntese. Isso sem mencionar o fato de que não há garantia que a árvore plantada hoje sobreviva por 20 anos sem cuidados maiores como adubação e regas frequentes - uma vez que muitas das vezes só se menciona o "plantio" de árvores e não a conservação delas.

2) Tenho uma idéia bem parecida com a que já postei aqui, do
Cheat Neutral. A neutralização de carbono não redime o poluidor da responsabilidade pela emissão de gases do efeito estufa. O que pode ser feito é, simplesmente, não poluir. A Campus Party colocou no texto de início do Campus Verde: "A Campus Party @ Campus Verde realizará o plantio de uma muda para cada participante do evento.", portanto, se comprometeu e uso como propaganda para o evento, a neutralização de carbono.

Agora,
em post recente no blog oficial do evento, a coordenação desconversa. Diz que a Campus Verde, em parceria com a Software Livre, vai elaborar uma calculadora de carbono, na qual os próprios participantes de evento vão poder planejar suas emissões e neutralizá-las com o plantio de árvores, de acordo com sua consciência.

Diz ainda, que os 3000 campuseiros estariam de qualquer modo conectados em outro lugar, assim como fazem em outros dias, mas se esquecem da emissão de gases do efeito estufa relacionados com outros processos, como som, banners, transporte dos campuseiros até o lugar do evento, lixo produzido, e outros processos que certamente não aconteceriam se cada campuseiro estivesse conectado nos locais de sempre.Esperamos uma posição mais clara sobre este assunto até amanhã.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Campuseiros sustentáveis

A tecnologia é a pílula que salva*, como dizem alguns. Ou, acreditam outros, o futuro é do bem*. São por esses – e mais alguns – motivos que eu estarei acampado na Bienal, em São Paulo, para acompanhar as principais informações da Campus Party Brasil*, considerada a maior festa tecnológica do mundo.

Todo esse otimismo em relação às novas invenções acontece por um simples motivo: cada vez mais esses novos mecanismos ajudam a tornar o planeta um lugar mais sustentável. Carros híbridos e elétricos, laptops baratos para estudantes, informação em banda larga para todos, produção de energia a partir do chão de uma balada. Por mais estranho que às vezes possa parecer, a tecnologia está tornando o nosso mundo muito mais interessante, democrático e prático. Como já afirmaram por aí, a sustentabilidade é a nova tendência de 2008.

O blog Planeta Conectado tentará mostrar todas essas vertentes nesse grande evento que, pela primeira vez em 10 anos, saiu da Espanha para chegar ao país campeão das redes sociais. Sim, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope/NetRatings, o brasileiro gasta 5 horas por mês para navegar pelo Orkut, enquanto fica apenas 1h40 em frente ao computador para ler e responder e-mails.

Nessa edição da Campus Party, o lema que motiva o encontro das 3.000 pessoas que acamparão na Bienal é “a internet não é uma rede de computadores, a internet é uma rede de pessoas”. Nada mais sustentável do que tentar desconstruir a idéia de que a tecnologia – e mais especificamente os computadores – é uma vilã quando se trata de sociabilidade. Um evento como esse vai pelo caminho oposto: promove o encontro, a troca de informações e o contato entre pessoas que possuem os mesmos interesses. O prédio localizado no parque do Ibirapuera está dividido em dez áreas: astronomia, campusblog, criação, desenvolvimento, games, modding, música, robótica, simulação e software livre. Cada uma com uma
programação focada no tema.

O assunto, como dá para perceber, pode ser explorado por diversos olhares, por diferentes pontos de vista. O Planeta Sustentável, então, engajado com a intenção do evento de encontrar pessoas com afinidades em comum, chamou alguns blogueiros sustentáveis para fazer parte dessa grande festa.

Eis os sete que se interessaram e confirmaram presença:

- Patrícia Magrini, do
Meu Ambiente;
- João Guilherme Lacerda, do
Transporte Ativo;
- Débora Menezes, do
Educom Verde;
- João Malavolta, do
Ecobservatório;
- Claudia Chow, do
Ecodesenvolvimento;
- Paula Signorini, do
Rastro de Carbono;
- Giuliana Capello, do
Gaiatos e Gaianos.

A idéia é que, além de conhecerem pessoas novas que possuam interesses semelhantes, façam uma cobertura colaborativa do evento – cada um com seu olhar – e produzam conteúdo por meio do
BarCamp, que é um modelo de desconferência no qual o grande condutor das conversas é um quadro em branco. Por exemplo, um campuseiro (como são chamadas as pessoas que acampam na Campus Party) que gosta do tema mobilidade pode usar o quadro para inscrever o assunto “A influência da tecnologia na mobilidade das metrópoles” em uma sala e um horário específicos e promover esse debate entre os barcampeiros por meio do site.

Já a cobertura colaborativa poderá ser conferida na
página especial para o evento que nós criamos. Conforme os blogueiros forem produzindo posts sobre a Campus Party, nós colocaremos chamadas para que você, leitor, acompanhe essa diversidade de informação. É o começo de uma rede focada na sustentabilidade.

E para as pessoas que estão lá acampadas, o Planeta Sustentável preparou alguns
desafios, como forma de conscientizar os compuseiros presentes. Se os computadores e aparelhos tecnológicos são aliados para tornar o mundo um lugar mais sustentável, eles também geram males ao meio ambiente – como o consumo excessivo de energia e o aumento do lixo. Por causa disso, os concursos criados são uma forma de mostrar às pessoas que mais utilizam esses produtos de que há uma nova maneira, sem desperdício e sem prejudicar o planeta. Confira os desafios que acontecerão em três áreas: criação, desenvolvimento e robótica.

E, em breve, um novo post, diretamente da Bienal e com mais informações dessa grande festa!

Fonte:
http://planetasustentavel.abril.uol.com.br/blog/campus/20080211_lst_assuntos.shtml

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

'Mancha' de lixo põe em risco a fauna no Pacífico


Um volume de lixo plástico com duas vezes o tamanho dos Estados Unidos – e cerca de 100 milhões de toneladas – está flutuando no Oceano Pácífico, colocando em risco a fauna marinha. A revelação foi feita nesta terça-feira por cientistas americanos.

Apelidado de "sopa de plástico", o lixo é composto em grande parte dos chamado material pet,muito usado na fabricação de garrafas. Translúcida, a "mancha" flutua rente à linha das águas, e por isso, é imperceptível aos satélites. Os pesquisadores descrevem que os detritos estão agrupados numa espécie de redemoinho que começa a cerca de 900 quilômetros da costa da Califórnia (EUA). A "sopa" passa pelo Havaí, e se estende até quase o Japão.

Dois fatores contribuem para formação do problema: a ação humana e a própria natureza. Segundo os pesquisadores, um quinto dos resíduos é jogado de navios ou plataformas petrolíferas. O restante vem da terra. No mar, o lixo flutuante é agrupado por influência das correntes marítimas e fica vagando dos dois lados do arquipélago havaiano.

Habitat marinho - Segundo o oceanógrafo David Karl, da Universidade do Havaí, é necessário fazer mais estudos para se determinar com exatidão o tamanho e a origem da "sopa de plástico". O professor pretende coordenar uma expedição para estudar o problema ainda neste ano, pois acredita que o lixo flutuante já formou um novo habitat marinho.

De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, detritos de plástico constituem 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos. O programas estimada que 46.000 peças de plástico flutuantes provocam a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100.000 mamíferos marinhos por ano. Seringas, isqueiros e escovas já foram encontrados nos estômagos de animais marinhos mortos.

Fonte:http://vejaonline.abril.com.br

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